quarta-feira, 23 de março de 2011

Alimentos radioactivos

Foram encontrados alimentos com radioactividade a mais de 30 km da central nuclear de Fucoxima 1. Contactado pelos Senhores da Rádio o governo japonês desvalorizou a situação, afirmando que a prioridade para a saúde alimentar dos japoneses é controlar o crescimento da McDonald's no país.  
Para o executivo tudo não passa de uma questão cultural: abóboras gigantes e outros legumes deformados até são valorizados no Entroncamento, em Portugal. O que alguns vêem como um acidente nuclear pode ser para certos agricultores frustrados uma porta para o Guinness World Records.

Figura 1 - A elevação deste blogue já é ironicamente comentada nos corredores da Escola Superior de Comunicação Social.

 António Vieira

terça-feira, 22 de março de 2011

Angles


O que é que esperas dos Strokes? Sinceramente só isto. A minha esperança no conjunto enquanto grande nome do futuro há muito que morreu, e o disco a solo de Julian Casablancas, Phrazes For The Young, só acentuou essa expectativa - exactamente por ser uma edição bem bonitinha e recomendável. 
Sobre The King of Limbs dos Radiohead escrevi no Facebook: "Sempre me pareceu mais interessante confrontar o trabalho de bandas diferentes do que os diferentes trabalhos de uma banda. Talvez por isso seja todo a favor do novo dos Radiohead." Não escondo a alegria quando o meu MediaMonkey passa automaticamente da última canção de AnglesLife is simple in the moonlight (já lá vou), para Is this it. Essa alegria só se completa, contudo, quando vou ouvir a estreia dos Smith Westerns (Dye it Blonde foi conselho do Senhor Pedro Ramalhete). Porque Angles é mais um disco de 2011. Foi editado por uma grande banda, mas isso não o livra de ser um disco a mais. Também não o condena ao estatuto do último dos White Lies. Descansem, fãs mais devotos - menos os que gostaram do Ritual dos White Lies (nesses casos não consigo prever opiniões).
A capa sufoca-me - sufoca-me ainda mais que esta; sem ter tantas razões para isso. O disco concretiza essa impressão com um um início acolhedor (Machu Picchu, Under Cover of Darkness) que mais não é que uma cilada para que caiamos num sufoco só interrompido quando a canção Life is simple in the moonlight aparece para nos puxar por um braço. Esta aflição não é da boa, como aquela que Kid A nos oferece a cada audição. Ou será que só a chamo de aflição porque gosto dos Strokes e até temo o seu presente?
Dar positiva depois deste comentário (não lhe chamemos crítica; a nota constitui diversão) é contrariar o que escrevi sobre o álbum dos Radiohead? Talvez, mas isso foi escrito no Facebook...

5.3 (de 0 a 10)
 António Vieira

Artur Agostinho (1920 - 2011)

Hoje morreu um Senhor. Descanse em paz.

Inovadoras formas de protesto

Um acidente de viação ocorreu, ontem de manhã, por volta das nove horas, na entrada do Instituto Politécnico de Lisboa (IPL), tendo-se registado, ao que os Senhores apuraram, apenas danos materiais.

O automóvel em questão, um Toyota Yaris cinzento, terá ido de encontro à zona das cancelas que dão acesso ao parque de estacionamento do IPL. A polícia, que esteve no local, constatou o "belo" estado em que ficou a viatura:

(Foto Senhores da Rádio)

Terá sido este o inicio de uma onda de protestos levada a cabo devido à instituição de um pagamento anual de 12€ pelo estacionamento no parque do IPL? Neste momento díficil, os Senhores apelam à calma, até porque, apesar de ser valorizado o espírito criativo do automobilista na sua acção de protesto, tendo em conta o estado em que ficou o Toyota, acho que seria melhor optar por outros meios de protesto. Não acham?

Eu, pelo sim pelo não, vou preferindo o comboio. Acho que fico mais precavido de ser afectado por algum destes incidentes, se bem que, ultimamente, face às constantes "folgas" tiradas pelos funcionários da CP, há uma grande probabilidade de nem ao risco de andar de comboio me poder sujeitar...


André Santos

segunda-feira, 21 de março de 2011

O que faz falta é


Oscar Wilde - I want to be a pop idol! (in Velvet Goldmine)

O que faz falta não é avisar a malta! A malta já sabe que o nosso cinema tem falta de tudo. O que faz falta é um pop idol, no cinema português. Não como a Lady Gaga, mas sim como David Bowie, Andy Warhol e Todd Haynes (já que falamos de cinema). É preciso fazer com que o nosso Major Tom, do cinema, ascenda aos céus.

Portugal precisa de filmes como Velvet Goldmine (vejam-no -melhor filme de sempre sobre música). A solução não é fazer o que já foi feito, nem fazer excrementos comerciais.

Não temos irreverência, ambição, nem imaginação!





Pedro Ramalhete (mais uma vez, a bater na mesma tecla) 

Rede Social

Bem sei que o Facebook não tem como primeiro propósito divertimento intelectual, contudo o mural das lamentações é um fenómeno só admissível nas adolescentes. O resto cairá sempre na inevitabilidade da análise estética. Amigos, não ceder a tentações é livrar-nos de tristezas adicionais.

António Vieira

domingo, 20 de março de 2011

English Level II

Ser abordado por pessoas estrangeiras é sempre uma diversão, pelo menos para mim. Hoje andava na rua, ali ao pé da Gulbenkian, e fui abordado por duas senhoras inglesas:

Inglesa - Where's the station?
Eu - What station?
Inglesa - Estación!
Eu - (risos) What station?

Impaciente a mulher finge que está a descer as escadas e a entrar numa carruagem de metro enquanto diz: "La la la la".

Eu - Era mesmo preciso o la la la? (para mim, claro)

A mulher continuou com estes devaneios até que eu, farto do enxovalho, lhe disse:

Eu - It's over there!
Inglesa - Gracias!

Meus amigos ingleses, vamos já meter isto em pratos limpos, eu frequento o nível dois de inglês, na ESCS, e posso não ser o Steve Jobs do inglês mas tenho a certeza absoluta que sei estabelecer conversas interessantes em inglês.
Agora falando a sério. Para os estrangeiros nós somos apátridas. Por exemplo, este verão fiz o interrail e fui de tudo menos português (espanhol, brasileiro, ...). Mas será que Portugal existe para eles? Temos cultura e história tão ricas, e somos tratados com todo o desprezo imaginável. O maior problema é que temos  de levar anos a fio com a língua deles na escola, e corremos sempre o risco de sermos humilhados, como eu.

Para todos aqueles que não respeitam a minha língua (português de Portugal) só tenho uma coisa a dizer:
 Pedro Ramalhete

Eu tenho duas Américas. De qual eu gosto mais?

Via Woody Allen no quarto quando a minha tia avisa-me da cozinha que estava a começar o Biggest Loser.
 

António Vieira (não, a assinatura  não é a legenda da figura...)

sábado, 19 de março de 2011

Eu enquanto Senhor

Além de ser o Senhor twitteiro por excelência (mesmo sem ter Twitter), revelo-me também aquele com as opiniões mais justificadas. Justifico tudo muito melhor.
Os outros dois alinham o texto à esquerda e toca a andar. 
António Vieira

What did you expect from The Vaccines?

What did you expect from The Vaccines?, um álbum feito, claramente, para corações partidos.
The Vaccines arrancam a todo gás com o ovni do álbum: Wreckin' Bar (Ra Ra Ra), uma epopeia à la Ramones. Segue-se If you Wanna que nos envolve num imenso turbilhão de sentimentos depressivos, mesmo que o ritmo seja electrizante. É nesta música que o álbum assinala a queda emocional. A dor e amargura de quem escreve as letras é definitivamente o ponto forte de What did you expect from The Vaccines? (a catarse apodera-se de quem o ouve). A nostalgia de A Lack of Understanding, Blow it Up e Wetsuit é interrompida abruptamente por Norgaard, música que nos dá sensação que há vida depois do fim da relação. A bipolaridade começa a ser evidente. E eis que chega a música mais icónica do álbum : Post Break-up Sex. O nome diz tudo. Rimar sex com ex torna-se anedótico, mas tremendamente eficaz. "Queremos ouvir mais!", gritamos nós depois de Post Break-up Sex (e dai talvez não). Mas a ruptura está para chegar. É com Under your Thumb que o álbum ameniza e passa para um registo mais baladeiro, quase romântico (excepção feita para a excelente Wolf Pack) . Nesta música canta-se a Eleanor: a musa europeia, o escape. Vão-se sarando as feridas até chegarmos a Family Friend, a música mais elaborada do álbum, que nos há-de transportar, numa apoteose fantástica, para um destino incerto.

Estes novatos não fogem à tendência, cada vez mais pirosa, do indie: músicas bem polidas, roupas bem engomadas e letras bastante sentimentalistas.
Um álbum que cai esporadicamente na banalidade, contudo é rico em sentimentos. Umas das surpresas de 2011


6.9 (de 0 a 10)


Pedro Ramalhete