No Sporting, saiu, esta época, o capitão João Moutinho. Na altura da sua saída, foi-lhe colocada a "etiqueta" do rapaz (maçã podre) que "dava cabo" do pomar, que, para alguns, crescia e respirava saúde em Alvalade.
Hoje, constato que nem João Moutinho era o culpado da destruição das colheitas por aquelas bandas, nem os espantalhos que lá residem conseguem mandar para longe as verdadeiras pragas que por lá continuam a passear e a destruirem os campos verdes daquela zona da capital.
Na política vivemos, hoje, uma situação semelhante. Muitos pensam que mandaram a maçã podre para a borda do prato e que o nosso pomar vai rejuvenescer. Infelizmente, para o nosso país e para os Senhores, ainda não perceberam que o novo cenourinha do pomar (uma das grandes pragas que, nos últimos tempos, ajudou a arruinar a maçã que agora caiu da árvore, após tantos e tantos safanões para que o seu destino fosse, inevitavelmente, este) mais não será que o maior lavrador da história do nosso país desde que o saudoso monarca D.Dinis nos abandonou.
Diferenças entre os dois? Claro. Enquanto D.Dinis, O Lavrador, tinha dotes para plantar (Leiria é um bom exemplo da sua obra), o novo cenourinha surge (aos meus olhos) com aptidões para nos enterrar.
"lol" (a terapia da fala parece começar a surtir alguns efeitos)
Quando um «pequeno» elimina um «grande» na Taça de Portugal (...) diz-se que «aconteceu Taça». Ou seja: que se concretizou o objectivo dessa competição, que é supostamente fazer com que clubes de diferentes dimensões se encontrem, possibilitando jogos inéditos e algumas surpresas, que vão acontecendo de vez em quando.
Na vida sexual das pessoas é que poucas vezes «acontece Taça».
É verdade que as mulheres (ao contrário dos homens) não se importam em jogar com clubes de outras divisões. Às vezes, com as mulheres, «acontece Taça». Mas convém não esquecer que a Taça é um sorteio, ou seja, um jogo de acaso.
Vai-te lixar, Pedro Mexia! Roubar teorias que eu guardava religiosamente nos meus cadernos é de muito mau tom (mesmo que tenhas escrito em 2007 e eu em 2009). Sou um jovem, preciso destes pequenos estímulos. Já que nunca chegarei ao teu nível de erudição e sabedoria, podias, no mínimo, guardar as analogias com o futebol para mim.
Cada vez que vejo um enorme aglomerado de pessoas (portugueses em particular) em torno de algo, pergunto-me:
"Mas (es)tão a dar alguma coisa?"
Não sei se este é um pensamento que ocorre apenas comigo (sem acentuação no 1º"o", senhor twitteiro), porém, na dúvida, e como português que sou, acabo sempre por intrometer-me no meio da multidão para verificar se, de facto, não estão a dar qualquer coisita ...
Neste momento de fraqueza para o Windows Live Messenger a possibilidade de saber aquilo que o outro está a ouvir pode não beneficiar em nada este programa de conversação.
Amar-me é ter pena de mim. Um dia, lá para o fim do futuro, alguém escreverá sobre mim um poema, e talvez só então eu comece a reinar no meu Reino. (Bernardo Soares, Livro do Desassossego)
A ex-"moranguita" decidiu fazer uma lipoaspiração à barriga e às pernas, no passado dia 15, na mesma clínica onde a ex-concorrente da Casa dos Segredos colocou implantes mamários. (TV 7 Dias)
Se perguntarmos na rua ainda poucos conhecem B Fachada. O músico de Cascais (palpito que as tias emprestem-lhe peças de roupa em desuso) é subvalorizado? Não me parece. Curiosamente, em relação à sua música, discute-se mais a suposta sobrevalorização – neste caso, sem perceberem, os haters valorizam. Sobre ele uma última nota antes de avançar: constitui o melhor que aconteceu à pop portuguesa desde qualquer outra coisa sucedida lá para trás.
Se perguntarmos na rua, e se tivermos azar no dia, ninguém conhece os Feromona. Aqui já há subvalorização. A falta de atenção dada pela imprensa e o desconhecimento mostrado pelos jovens mais atentos são gritantes – é paradoxal ser atento e ignorar os Feromona, mas sigamos em frente. Tal como Nuno Prata (baixista dos Ornatos Violeta) a banda lisboeta sofre por ser discretíssima, e só a sua qualidade indiscutível quebra os efeitos dessa particularidade. Porquê o desdém quando esta deveria ser a banda de toda uma geração?
Uma Vida a Direito (2008) soube ser download gratuito. Se ninguém conhece os Feromona, ninguém dará nada pelos Feromona. Nos tempos actuais esta seria a melhor gestão das estreias. A natural sinceridade, por vezes cruel, já se fazia adivinhar por aí. Na música as guitarras confirmam a secura da banda, que apesar do lirismo recomendável, tem como tentação principal cantar umas verdades atravessadas (apontar para a garganta) há algum tempo e não quer que o ouvinte se alheie muito delas. Aceitam a influência dos inevitáveis Ornatos Violeta, mas rejeitam o romantismo à flor da pele de Manel Cruz e quaisquer artifícios sonoros que mostrem ambição. Acabam por incentivar mais à letargia de um olhar mordaz que a um grito de revolta efectivo. São os maiores, portanto. Conservadorismo? Não se trata disso. É um meio-retrato da nossa geração – uma geração desiludida, mas não tão corrosiva. Por isso o encanto pela facilidade dos Deolinda (nada contra). Precisamos dos Feromona, e Desoliúde (2010), segundo disco, mereceria ser ouvido por todos os jovens portugueses. E quando há um tímido murro na mesa melhor ainda:
"Agora aqui é sempre a mesma pobreza, a mesma desistência. Até as vitórias são forjadas. E nem as derrotas são feitas de dor genuína. Como é que uma pessoa pode sentir dores a sério se isto, nada disto é a sério, nada acontece, e as coisas que surgem são imitações das verdadeiras coisas? Isto não é Hollywood, bebé..."
(Isto não é Hollywood, álbum Desoliúde)
Psicologia não teve o reconhecimento de Amor Combate dos Linda Martini, de Vá lá Senhora! d’Os Golpes ou de Dona Ligeirinha dos Diabo na Cruz, e é uma pena. A melodia desorientada é uma fabulosa cama para a crítica feita aos desorientados só porque sim. De todas as novas bandas portuguesas os Feromona são definitivamente a minha preferida. E mereceriam muito mais que este tosco comentário.
Um homem chamado Fernando quis assustar um amigo chamado Mateus, durante a noite de domingo em Resende. A notícia é que Mateus, pensando estar a ser alvo de um assalto, disparou pela janela e atingiu mortalmente Fernando. Sempre disse que uma festa de anos surpresa pode virar um genocídio. Aguardo agora pela tardia aceitação dessa minha teoria.
Apesar da morte Mateus curou os soluços de que se queixava ao amigo, minutos antes, por telefone.
O meu forte nunca foi a política. Aliás, nunca me interessei. Chamem-me irresponsável, imaturo ou idiota. Eu sei que a política é a base de muita coisa, mas o problema é que não me identifico com nenhuma ideologia política. Contudo, acompanhei com relativa atenção o debate na Assembleia da República (AR).
Os socialistas, em tom de despedida, enalteceram todos os seus feitos gloriosos. A oposição, entre apupos e risos irónicos, mostrou que será a próxima salvadora da pátria. A conclusão a que cheguei é que ninguém nos vai salvar. Somos um povo ignóbil, sem emenda e preso numa tautologia repugnante (daqui a uns tempos veremos isto a repetir-se, mas com Passos Coelho no poder).
Era aqui que queria introduzir a analogia ao livro O Deus das Moscas, de William Golding. A cabeça do porco, infestada de moscas, representa todos os poderosos de Portugal. A maldade inerente à personalidade de muitos homens é o verdadeiro demónio que corrói a política. Porque é que fascismo e comunismo nunca resultaram?
A loucura colectiva será despoletada, em pouco tempo, pelo egoísmo destes tipos que têm poder. Estamos a viver numa selva, como os miúdos de O Deus das Moscas, à mercê dos nossos instintos. A luta pela sobrevivência dos mais ricos apodrece os valores civilizacionais.
"O que é melhor... ter regras e respeitá-las, ou caçar e matar?"
- William Golding, in Lord of the Flies